A década de 70 tinha como modelo de ensino de arte no país o fazer artístico em detrimento da apreciação de obras e do conhecimento da arte. Era valorizado o desenvolvimento da auto- expressão e da auto-descoberta. O fazer artístico, os aspectos históricos e teóricos da arte, e nem obras de arte eram apresentados as crianças para que estas não fossem influenciadas e isto levava a um processo de criação bastante limitado dando margem a um processo de criatividade pobre e arcaico. Com uma nova metodologia proposta pelos PCNs para o ensino de Arte abordando não apenas o objeto ou ato em si, mas que necessariamente exige a compreensão do contexto histórico em que o referido objeto ou ato foi reproduzido, significando assim analisar os objetos ou atos artísticos a partir do contexto de quem os produziu propondo assim uma nova visão triangular na proposta curricular do ensino das artes no ambiente escolar. O arte-educador deverá desta forma preparar o educando por meio de leitura de obras de arte plásticas para que o mesmo obtenha a decodificação da gramática visual, da imagem fixa. E também através da leitura do cinema e da televisão prepará-lo para aprender a gramática da imagem em movimento.
Para melhor conhecer e apreciar a arte cito o método comparativo de Edmund Feldman (1970) que diz : O método comparativo é o trabalho que envolve o conhecer, o apreciar e o fazer através da comparação entre várias obras de arte de diversos períodos para que o aluno perceba as diferenças e as similaridades. Esse estudo centra-se nos elementos da obra de arte e o desenvolvimento crítico é o cerne da metodologia. No entanto, ao centrar seu trabalho no desenvolvimento crítico, Feldman não nega o desenvolvimento da técnica e da criação. Ao entrar em contato com a obra de arte, ao ver a imagem, o aluno desenvolve sua capacidade crítica, estabelecendo uma relação de aprendizagem com o objeto em questão. Para Feldman, esse desenvolvimento se dá através dos seguintes processos: ao ver atentamente, o aluno descreve; ao observar o que vê, ele analisa; ao significar, interpreta; e ao decidir acerca do valor, julga.
Dialogando também com a proposta triangular cito o método multipropósito de Robert Saunders (1984) que define a sua metodologia como um programa de ensino de arte onde o fazer se dá em função da leitura da obra de arte, articulada com outras áreas do conhecimento de maneira interdisciplinar. Enfatizando seu trabalho no olhar, ele propõe uma mudança da cultura verbalmente orientada para uma cultura visualmente orientada, e apresenta o uso da reprodução como um meio para o ensino da arte. Em seu trabalho, Robert Saunders faz a defesa do uso de boas reproduções de obras de arte, em papel, na atividade com os alunos, descartando o uso do slide que, para ele, interfere na relação educador/ educando, já que o slide, para ser mostrado, necessita de um ambiente escuro. Além disso, ele defende o uso de uma mesma reprodução ao longo de várias séries, partindo do princípio de que o educando amadurece e, conseqüentemente, fará uma leitura diferente da obra revisitada. O método de multipropósito deve ser posto em prática a partir do momento que o educador de arte estabelece um objetivo a ser atingido pelo educando. Ao escolher uma determinada obra de arte para ser estudada, ele deve ter claro quais foram os propósitos que orientaram a escolha e quais são os objetivos a serem alcançados.
Engraçado como nós educadores fazemos as coisas sem perceber. E este módulo nos faz refletir sobre a nossa prática dentro da sala de aula. Sempre gostei de trabalhar desta forma com os alunos. O que deixou os alunos encantados, pois na realidade muitos deles têm a oportunidade de conhecer obras de artes somente por meio de um passeio virtual. É muito interessante a resposta que o aluno nos dá e percebemos que inteligentemente ele agrega valores e conhecimentos de forma muito mais significativa.
O Ensino Virtual
Há muito se comenta a falta de interesse dos alunos pelos estudos e uma das causas, segundo especialistas, é que as escolas não conseguem acompanhar a rapidez com que as novas tecnologias se instalam em nosso cotidiano.
Concordo com Machado quando ele diz:
Creio que a civilização está seguindo seu ciclo evolutivo. Do papiro aos livros, dos sinais de fumaça ao e-mail, o homem sempre irá buscar algo que supere o seu paradigma vigente. O uso das chamadas “tecnologias da informação” irá disseminar na civilização moderna, novas formas de se comunicar com o seu semelhante. Cabe ao professor acompanhar essa evolução dos tempos, reavaliar suas necessidades e possibilidades, adaptar-se às novas tecnologias, sem esquecer do papiro, do sinal de fumaça,e proporcionar aos seus alunos novas possibilidades, para que tenham habilidade de lidar, de forma ética, com a gama de informações que se acumulam e que se reciclam a todo o momento.(MACHADO, 2006).
Pode-se dizer que o virtual imita o real através da simulação de objetos, situações, equipamentos, etc., por programas ou redes de computador, mas isso não significa abandonar o que vinha sendo feito e fazer uso só dos laboratórios.
Acessar espaços virtuais e interagir com eles é um caminho para o aprendizado e a troca de experiências, que em muito pode colaborar para a melhoria e a democratização do ensino da arte. Não se trata de abandonar completamente ou de substituir o que vinha sendo feito até então no ateliê pelo trabalho único nos laboratórios. Ambos são extremamente importantes para o desenvolvimento do pensamento artístico.
Obs: Texto desenvolvido de acordo as reflexões referente a proposta triangular e o uso das aulas virtuais na prática pedagógica. Lúcia Dantas
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