quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

A Filosofia e a História da Arte


A Filosofia e a História da Arte são duas áreas que tradicionalmente discutem questões sobre a arte. A Filosofia aborda principalmente a experiência estética, isto é, o contato que temos com a realidade a partir dos nossos sentidos.
Confrontando a experiência sensorial e a experiência racional, os filósofos indagam sobre a origem do conhecimento e as condições para o discernimento da verdade. E, de modo geral, o locus do conhecimento e da verdade será atribuído à filosofia ou à ciência, vistas como representações racionais do homem e do universo, e não às representações sensíveis realizadas pelas artes.
Para Platão (427-348 a.C.) as artes em geral, especialmente as artes visuais do período clássico grego, que se fixaram na representação referencial do mundo, são consideradas atividades inferiores e até danosas ao espírito. Por isso, as artes deveriam ser abolidas da “cidade ideal”, concebida pelo filósofo na obra República.
Aristóteles (384-322 a.C.) opondo-se a Platão considera que o conhecimento é construído gradativamente, a partir das impressões sensíveis até chegar à abstração das idéias.
A imitação que a arte faz da realidade seria então uma forma rudimentar de conhecimento. Entretanto, mesmo não alcançando a verdade dos conceitos filosóficos, a arte teria o mérito de cumprir finalidades morais, representando a diferença entre o bem e o mal.
Kant (1724-1804) rompeu a cisão entre razão e sensibilidade por meio do conceito de Imaginação. Portanto, a imaginação, antes relacionada apenas aos sonhos, aos delírios e as artes, passa então a ser vista como fundamental também na construção do conhecimento racional.
Hegel (1770-1831) preconiza que a história tem um fim, um sentido: o da plena realização do espírito. Denominada de determinismo histórico, sua teoria identifica três formas de realização do espírito: a arte, a religião e a filosofia. Cada qual é apresentada como uma etapa a ser superada historicamente no desenvolvimento de qualquer cultura, de modo que a arte representaria a forma mais elementar de realização do espírito, enquanto a filosofia a mais evoluída.
Nietzsche (1844-1900) evoca a Grécia dos mitos e da tragédia, período anterior a Platão, para formular sua teoria estética. Segundo ele, naquela época ainda havia um equilíbrio entre as forças de Apolo (deus da luz e das artes) e de Dionísio (deus do vinho e da orgia). Ou seja, existia um vitalismo, que não hostilizava homem e natureza. Assim, para Nietzsche, as artes (Nunes, 1991:67) “surgem da própria vida, e o conhecimento que alcançamos por intermédio delas, irredutível ao pensamento lógico e conceptual, é mais uma resposta do homem ao ‘caráter pavoroso e problemático da existência’, para justificar, como fenômeno estético, a realidade que, em si mesma, é irracional e destituída de valor”.
Apesar de todos esses aspectos poderem ser objeto da reflexão filosófica, é a História da Arte que os trata diretamente, adotando diversos métodos de pesquisa. Tais métodos não são coisas dadas. Assim como os estilos artísticos, eles também são criações humanas, tendo cada qual surgido em um contexto histórico específico, de acordo com a visão de mundo da época e as diferentes questões então formuladas pelos pesquisadores.

Acadêmico- Ricardo Neiva Trindade
Pólo: Espinosa




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